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Você sabe o que foi o Apartheid?

Movimento representou a transformação do racismo em lei, entre 1948 e 1994, na África do Sul
Por: Rebeca Ângelis 18/07/2019 - 09:36 - Atualizado em: 18/07/2019 - 09:57

De um lado, brancos na supremacia de direitos. Do outro, negros e indígenas oprimidos. Na prática, era assim que funcionava o regime de segregação racial, que vigorou por 46 anos (1948-1994), na África do Sul.

O Apartheid - que traduzido do Africâner significa separação - foi criado pelas elites brancas que controlavam o país e sustentavam-se no mito da superioridade racial europeia. Durante esse período, pessoas não brancas eram proibidas de acessar determinados lugares, e eram frequentemente retiradas de suas casas e até de seus caminhos nas ruas, por causa de sua cor. O Apartheid ficou famoso no mundo todo pelas duras leis segregacionistas impostas à sociedade sul-africana. Entenda!

A origem do Apartheid

No início, entre os séculos XVII e XIX, o país sul-africano tornou-se alvo de disputas de países interessados em diamantes e ouro da região. A Holanda logo ganhou o domínio e, posteriormente, perdeu espaço para os britânicos, em 1902.

Foi quando Louis Botha, o então primeiro-ministro da União da África do Sul, adotou as primeiras leis de segregação, incluindo a prática do racismo. Todas as normas adotadas pelo Apartheid contribuíram para um dos ordenamentos jurídicos mais truculentos da humanidade. Confira algumas normas:

  • Native Land Act (1913): decretava apenas 7% do território sul-africano destinado aos negros, que representavam 75% da população;
  • Native Urban Act (1923): limitava o acesso de negros e outras etnias em áreas consideradas dos brancos;
  • Immorality Act (1927): proibia relações sexuais fora do casamento entre brancos e não brancos.

Leis raciais excludentes

Mesmo em um país cuja população, em sua maioria, era de negros, apenas brancos votavam no período da segregação racial.

Fator de grande valia para o Partido Nacional, que venceu e assumiu o poder com a premissa de aprofundar a política de segregação, em 1948,  com o slogan de sua campanha “Apartheid”.

É nesse período que o regime toma uma proporção ainda maior e o Apartheid é oficialmente praticado na África do Sul. Tudo isso no intuito de manter a elite branca com poderes militares, economia e política, impedindo qualquer ascensão social das raças consideradas “inferiores”.

Novas leis também foram implantadas:

  • Prohibition of Mixed Marriages Act (1949): proibia o casamento entre pessoas brancas e de outras raças;
  • Population Registration Act (1950): classificava a população em “grupos raciais”. A partir dessas classificações as pessoas eram separadas. Muitos indivíduos foram separados de suas famílias por terem sido classificados em grupos diferentes dos seus parentes.

Confira algumas imagens da época

*Em ambientes públicos, era comum que acesso de pessoas não brancas tivessem acessos limitados  em todos os lugares

Vários brancos

*Em 21 de março de 1960, a polícia matou mais de 60 manifestantes negros durante o que ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville. Exatos 25 anos depois, outras 20 pessoas são mortas em um novo massacre, na estrada entre as cidades de Uitenhage e Langa.

 *Placas determinavam proibições de "pessoas coloridas" nos espaços

*Negros e minorias eram vítimas de opressões constantes 

Mandela e o fim da segregação racial

O fim do Apartheid aconteceu somente depois de 25 anos, em fevereiro de 1990. O então presidente Frederik de Klerk, que estava há cinco meses no poder, surpreendeu a todos ao dar fim no processo de segregação racial. Já em 1991, o Parlamento da África do Sul procedeu à abolição total das leis que formavam os princípios do Apartheid e os negros tiveram, enfim, os seus direitos concedidos.

Na luta contra o Apartheid, Nelson Mandela tornou-se um dos maiores líderes de resistência sul-africana. Ele foi um dos poucos negros privilegiados da época a ter acesso aos estudos em boas escolas e ainda conseguiu se graduar em uma universidade.

Iniciou sua vida na política em prol da luta contra o Apartheid, juntamente com outros líderes negros, como Oliver Tambo e Steve Biko. Em 1962, Nelson Mandela foi preso pela primeira vez por incentivar greves e viajar ao exterior sem autorização. Foi condenado à prisão perpétua, em 1964, por participar de movimentos armados.

Mandela passou 27 anos preso e teve sua liberdade com o fim da segregação, nos anos 1990. Mesmo de dentro da prisão, mantinha liderança e resistência entre seu povo na luta contra o regime racista.

Três anos depois de sua liberdade, foi vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Tornou-se ainda presidente da África do Sul, em 1994. Ele, que foi e permanece eternizado como pai da moderna nação sul-africana, onde é normalmente referido como Madiba ou "Tata", faleceu em 5 de dezembro de 2013.

É lembrado neste 18 de julho - data de seu nascimento - como herói e símbolo da luta contra o racismo.

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