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Violência infantil: não se cale, denuncie!

O Dia Internacional da Crianças Inocentes Vítimas de Agressão é lembrado, nesta segunda-feira (4), como forma de protesto
Rebeca Ângelis Por: 04/06/2018 - 10:17 - Atualizado em: 05/06/2018 - 17:49
Violência infantil: não se cale, denuncie!
Violência infantil: não se cale, denuncie!

Em pleno 2018, ações como essas das notícias, partindo geralmente dos próprios pais, responsáveis, cuidadores, familiares ou pessoas próximas, fazem crianças tornarem-se vítimas da violência com bastante frequência- segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Como forma de alerta e de combate, a ONU criou, em 1982, o Dia  Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão. A data faz um alerta nesta segunda-feira (4), sobretudo, para lembrar que todos os dias crianças são vítimas de agressão física e psicológica no mundo inteiro, inclusive nas suas próprias casas, por meio de crimes cometidos pelos pais ou parentes.

O dia relembra todas as vítimas infantis de afogamento, espancamento, queimadura, trabalho infantil, envenenamento e abuso sexual, mas também chama a atenção para a necessidade de proteção e de educação dos pequenos, que se encontram numa fase frágil, de construção de mentalidade, carácter e de valores.

Como surgiu

A importância da data serve como reflexão para toda a sociedade. Até o século XVII, não existiam políticas e leis, fazendo com que a criança fosse pouco valorizada e muito desrespeitada, tornando-se vítima de abusos sexuais, trabalhos forçados, e submetida a todo tipo de agressão.

Somente no século XIX, as crianças passam a ser percebidas como seres humanos autônomos, contribuindo para o desenvolvimento da psicologia, pedagogia, pediatria e psicanálise, no intuito de atenuar as agressões e melhorar a qualidade de vida desses menores.

Uma pesquisa realizada em abril deste ano, da organização social Visão Mundial, revelou que o Brasil é líder no ranking de violência contra crianças na América Latina. No recorte nacional, o estudo apontou que três em cada dez pessoas conhecem pessoalmente uma criança que já sofreu violência.

Foram levados em conta maus-tratos como o abuso físico e psicológico, trabalho infantil, casamento precoce, ameaças on-line e a violência sexual. No estudo, foram ouvidas 6 mil pessoas, com idade acima de 16 anos, e mais de 500 entrevistados eram brasileiros.

Tipos de violência

Todo e qualquer tipo de agressão é considerado crime no Brasil. Conforme Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência.

Assim, os tipos de violências sofridos por esses menores podem se classificar em:

*Violência corporal:

Ocorre quando atinge a integridade física da criança, ou seja, é quando a força física é usada de forma intencional e tem como objetivo ferir e lesar a vítima. Nesses casos, as agressões costumam deixar marcas no corpo, que possibilita o diagnóstico.

As marcas indicativas do abuso incluem hematomas, escoriações, lacerações, contusões e queimaduras. O grau de violência física pode variar consideravelmente e as agressões mais frequentes incluem tapas, beliscões, chineladas, chutes, cintadas, murros, queimaduras com brasa de cigarro, água quente e ferro elétrico, intoxicação com psicofármacos, sufocação, mutilação, espancamentos e agressões que conduzem à morte.

Violência Sexual:

É definida quando uma criança é usada no intuito de satisfação sexual, com base em uma relação de poder do agressor, que se utiliza de persuasão, força física e até ameaças psicológicas. Nessas situações, a violência sexual caracteriza-se de duas maneiras: sem contato físico (telefonemas obscenos, exibicionismo e voyeurismo) e com contato físico (atos físico-genitais, estupro, sadismo, pornografia e prostituição infantil). As ações do agressor podem incluir desde carícias não consentidas, manipulação de genitália, mama ou ânus, olhar perturbador e insistente, cantadas obscenas, relações sexuais.

*Violência psicológica:

É resultante de toda ação ou omissão que causa ou visa a causar dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Na maioria das vezes, esse tipo de agressão inclui ameaças, humilhações, chantagens, discriminação e exploração. Costuma ser difícil de identificada por ser silenciosa e de questão comportamental. Pode levar a criança a se sentir desvalorizada, ansiosa e a adoecer com facilidade. Em situações mais graves pode até levar ao suicídio.

Não se cale. Denuncie!

Segundo a ONU, na maioria das vezes, as maiores ameaças ao bem-estar infantil estão dentro de casa, em forma de maus-tratos físicos ou negligência (outro tipo de agressão). De acordo com o Ministério da Saúde, a violência é a segunda principal causa de mortalidade global em nosso país e só fica atrás das mortes por doenças do aparelho circulatório.

Os jovens são os mais atingidos. Além deles, a violência atinge ainda, em grau muito elevado, as crianças e as mulheres. Diversos fatores contribuem para isso, entre eles, a má distribuição de renda, a baixa escolaridade e o desemprego. Dessa forma, zelar pela integridade dos pequenos não é uma tarefa exclusiva dos pais, mas também dos parentes, da comunidade, dos profissionais de saúde, dos líderes de modo geral, dos educadores, dos governantes, enfim, da sociedade como um todo.

Uma das principais maneiras de combater esse tipo de crime, é ligando para o Disque-Denúncia. O serviço recebe as informações e busca solucionar o caso com medidas protetivas à criança, além de manter as informações do denunciante. Desde que foi criado, em janeiro de 2003, o trabalho chegou a receber mais de 9.804 ligações sobre violência contra crianças e adolescentes, no Estado de Pernambuco, uma média de quatro telefonemas por dia. Onde a mãe e ou o pai aparecem como os principais agressores e a casa é o local em que a violência ocorre com maior frequência.

Não se cale! Ao saber ou notar algo suspeito, denuncie no Disque-Denúncia mais próximo de sua cidade! Todos merecem uma vida digna e humana, sem violência.

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