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Por que ter amigos faz bem?

Especialista explica por que manter amizades é importante para nossa formação
Por: Katarina Bandeira 13/02/2019 - 18:47 - Atualizado em: 14/02/2019 - 09:49
Tatiana Bahia explica como são construídas as relações de amizade. Foto: Freepik
Tatiana Bahia explica como são construídas as relações de amizade. Foto: Freepik

“Amigos são a família que a vida nos permite escolher”, disse William Shakespeare, dramaturgo inglês considerado um dos mais influentes do mundo. E não estava errado. As relações sociais são de exímia importância para convivermos cada vez melhor em sociedade. Isso porque ajudam a criar empatia, aumentam a sensação de segurança e de que, de fato, nós pertencemos a algum lugar. A psicóloga Tatiana Bahia explicou como são construídas essas relações e por que elas fazem bem para o nosso crescimento pessoal. Confira!

Ter ou não ter, eis a questão

A primeira dúvida a ser esclarecida a respeito da amizade é: por que precisamos ter amigos? Para Tatiana, a necessidade de ter alguém com quem se identificar, não necessariamente de forma sexual ou familiar, vem do fato de que somos seres sociais. “Nosso cérebro precisa construir relações para que a gente se sinta protegido e encaixado em algum grupo”, explica a psicóloga. Ela reforça que o desejo por amigos tem mais a ver com instinto de sobrevivência do que com afetividade em si e que, a partir dessa necessidade, nós construímos estratégias de comportamento para gerar aproximações.

“Aprendemos a partir da observação (desde a infância) como falar com o outro, como devemos nos portar, puxar papo e até quais objetos compartilhar. Apesar de nossas relações serem construídas através da afinidade  elas se tornam mais profundas por interesse”, afirma. Mas o interesse exposto por Tatiana é relacionado à troca de gostos e não aos ganhos em cima da boa vontade do outro.

Somos todos carentes

Pense em todos os amigos que você conseguiu cativar ao longo da vida. Alguns foram embora, outros permanecem até os dias de hoje, mas todos tiveram que passar por um começo, uma iniciação, aquele primeiro contato que definiu se realmente vocês ficariam próximos um do outro. “É comum nos associarmos com o grupo x porque gostamos das mesmas músicas, por exemplo. Porém, emocionalmente, o que me é interessante que aquele grupo me acolha e não me critique”, explica a psicóloga.

Ela comenta que apesar dos interesses mudarem ao longo do tempo, o desejo de se sentir seguro e compreendido continua sendo o foco psicológico principal dessas relações. “Ao ponto em que eu me sinto seguro e não julgado, posso tomar as decisões e escolhas que me parecem melhores, mesmo que elas tragam algum tipo de dano”, esclarece. Envolta na confiança, base das relações de amizade, a especialista assevera que, a amizade, enquanto relação interpessoal, possibilita novas experiências. “O indivíduo tem certeza que terá apoio para recomeçar, caso algo dê errado”, diz.

Reciprocidade é a chave

Ainda que sejamos impelidos instintivamente para criar laços de amizade com outras pessoas a manutenção dessa relação só é possível se, dos dois lados, a recíproca for verdadeira. “É preciso que eu saiba que aquele amigo, completamente diferente de mim, respeita as minhas decisões, mesmo que sejam diferentes das opções dele”, afirma Tatiana. Ela também defende que o tempo e a mudança de hábitos não são completamente responsáveis pelo fim de uma amizade. “Muitas vezes os ‘hábitos em comum’ são criados após algumas mudanças para que a relação possa continuar existindo. Por exemplo, se eu sou um cara que casou e mudou algumas coisas da vida em função da família, posso criar estratégias ou encontros que aproximem os antigos amigos que confio sem comprometer a minha nova relação”, defende.

A profissional desaconselha o afastamento dos amigos, desde que a amizade exista em uma relação de confiança e segurança. Até mesmo na obra Hamlet, também de Shakespeare, a confiança em um amigo mostrou ao personagem principal da peça um fio de lucidez no meio de intrigas. “Não confiar em ninguém reflete a falta de confiança em si mesmo, dificuldade de lidar com as diferenças. Nessa visão, o mundo torna-se completamente hostil ao invés de ser repleto de oportunidades”, finaliza.

 

Conta para a gente qual a importância dos amigos na tua vida!

 

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