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Poesia pernambucana é sinônimo de resistência e renovação

Seja na capital ou no interior, a produção poética pernambucana, atualmente, é feita para além da Academia Pernambucana de Letras (APL) e grandes editoras
Por: 19/10/2018 - 17:08 - Atualizado em: 20/10/2018 - 09:00

A poesia ecoa nos quatro cantos de Pernambuco. Nos versos de cânones como Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Ascenso Ferreira, os costumes e particularidades do Estado são retratados com encantamento e crítica, os quais transportam o leitor para dentro de uma narrativa rítmica.

Seja na capital ou no interior, a produção poética pernambucana, atualmente, é feita para além da Academia Pernambucana de Letras (APL) e grandes editoras. Os versos estão nas ruas, nas conversas e bares de distintos municípios. Em tempos de ódio e intolerância, a renovação da literatura em Pernambuco aparece como uma respiro e apresenta uma nova forma de produção e difusão da poesia no Estado.

A poesia urbana de Miró

Os versos que ecoavam no bairro da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, localizado na Região Metropolitana do Recife, mostraram para os pernambucanos a poesia sem amarras de João Flávio Cordeiro Silva, mais conhecido como Miró.

O apelido nasceu a partir do momento em que ele decidiu subir em um palanque improvisado e recitar seus escritos. Para os mais conservadores, Miró se encaixa na categoria de poeta marginal. No entanto, para muitos escritores, ele é precursor, juntamente com a poetisa Cida Pedrosa, pela popularização da literatura e, consequentemente, da poesia na década de 1980.

Nascida dos becos, bairros e bares, as palavras do poeta ganharam as páginas dos livros. De forma independente, o poeta (re)lança a obra ‘Meu filho só escreve besteira’, que fala, em forma de versos, da relação com a sua mãe, Dona Joaquina, as fases dos porquês e as descobertas da infância.

 

“A poesia chegou como uma tentativa de sobrevivência”

O primeiro contato com a literatura surgiu como uma obrigação na escola. Diante do caos de uma bairro periférico da capital pernambucana, Gleison Luiz Nascimento despertou para as letras. “A poesia chegou como uma tentativa de sobrevivência. Eu vi que se continuasse no mesmo ritmo dos meus amigos, não teria muito tempo ou acabaria preso”, relembra do poeta de 24 anos.

Declamar faz parte da sua vida desde os 14 anos. Por isso, criou e segue responsável pela oficina de declamação ‘A poesia o corpo a rua’ . Para ele a verbalização é uma defesa das poesias. Em meio às inquietações, as poesias saem como um respiro e de forma visceral. “Minha maior inspiração vem da minha filha Alice”, revela o escritor.  Confira a entrevista em vídeo com o poeta:

O Slam de Bell Puã

Criado nos anos 1980 em Chicago, nos Estados Unidos, as batalhas de Slam, que misturam um ritmo mais contundente a sensibilidade poética, tornaram-se populares no Brasil a partir dos anos 2000.

Representante da poesia feminina local e campeã da edição estadual da batalha de poesia falada, mais conhecida como Slam, em dezembro de 2017, Isabella Peunte, ou simplesmente Bell Puã, traz nos versos a realidade das minoria, resistência e representatividade da mulher negra.

A escrita da poetisa é carregada de referência de autoras como Conceição Evaristo, Elisa Lucinda e Carolina de Jesus. Na bagagem, a escritora traz o primeiro livro, intitulado 'É que dei o perdido na razão', produzido pela editora independente Castanha Mecânica e lançado em julho deste ano. A obra conta com ilustrações de Ianah Maia e versa sobre amor e desejo.

 

 
 
 
 

 

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