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O Racismo Epistêmico

Assessoria de Comunicação Por: 03/06/2019 - 13:30 - Atualizado em: 03/06/2019 - 13:36
Professor Helison Ferreira
Helison Ferreira – Assistente Social e professor da UNINASSAU Caruaru
Por Helison Ferreira – Assistente Social e professor do curso de Serviço Social da Faculdade UNINASSAU Caruaru
 
A realidade profissional exige bastante atenção para não permitir que o racismo consiga ser evidenciado de forma positiva, quando, na realidade, necessita de ser combatido. Mas esse fato é algo que nos tira de um território que, em muitos casos, é bastante disfarçado como ferramenta de desviar a prática errônea do profissional sobre a outra pessoa. É preciso que haja o descortinamento dessa demanda para que as discussões tenham foco e luta pelo combate.
 
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) evidenciou a temática do corrente ano acerca do combate ao racismo, tema definido na gestão 2017-2020. A proposta é (re)pensar a prática do racismo como oportunidade de interromper, de forma integral, qualquer tipo de olhar que inferiorize o outro. A luta é coletiva em prol do coletivo. A presidente do CFESS, Josiane Soares, afirma que a campanha é algo que fortalece coletivamente a categoria de assistentes sociais e permite a propagação do nosso código de ética em seus princípios, onde exige que o todo profissional deva tratar a todos(as) com igualdade, sem discriminar em qualquer forma.
 
O assistente social é um profissional que lida cotidianamente com sujeitos que, nos serviços, chegam para acessar as instituições, sejam elas públicas ou privadas, e precisam de cuidado e atenção. A nossa luta deve estar atrelada ao respeito ao ser humano que está para ser atendido. O respeito deve ser uma ferramenta utilizada com todo vigor no ambiente de trabalho, pensando sempre na inserção e de tudo o que já fora feito para que qualquer tipo de discriminação, nesse caso o racismo, seja refutado. Mas não é uma tarefa fácil, já que, durante anos, a sociedade se utiliza de termos que coloca o ser humano negro num lugar inferiorizado.
 
Os termos, como “isso é coisa de nego”, “a coisa tá preta”, “cor do pecado”, entre outras que precisaremos evitar, colocam a pessoa negra num lugar que não é dela e, para que o acesso, o direito, seja respeitado como forma de compreensão ética profissional, se faz necessário a análise crítica sobre nossas narrativas. A convocação para a luta contra o racismo deve ser pensada como caminho importante a ser trilhado. Seja de forma direta ou indireta, os profissionais necessitam intervir quando houver atitudes discriminatórias.
 
No Brasil, ainda é uma realidade lastimável, já que a luta contra o racismo é algo epistêmico, mas o processo de identificação ainda é falho, pois, o sujeito transgressor dessa linha de discussão é uma pessoa que não admite essa prática. No entanto, o reforço precisa ser feito a todo o momento para garantir que o sujeito possa conseguir a desconstrução de atitudes perversas no tratamento com o outro.
 
Mesmo com todas as conquistas, a luta deve persistir para evidenciar um novo momento social de inclusão, respeito e atenção. Todas as práticas de lutas devem ser fortalecidas para que o ser humano se sinta parte de um meio e que nunca deveria ser segregado.
 
Segundo dados do IBGE (2010), 47,7% da população entrevistada se declara branca, quando 7,6% se autodeclara preta, 43,1 se declara parda, 1,1% se vê como amarela e 0,4% se autodeclarara indígena, dentro de um recorte populacional de 10 milhões de pessoas, num total de 191 milhões.
 
Afirmar ser racista não é algo fácil, porém, diante de outros problemas, talvez seja um dos mais delicados e conflituosos, já que o primeiro passo é pensar uma forma de acabar. Mas todo o processo de intervenção deve ser bastante dialogado e refletido sobre a importância de retirar da narrativa humana termos agressores.
 
O respeito começa com a minha fala!
 

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