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O que seria de nós sem a enfermagem?

Em tempos de pandemia, lembrar que nesta terça-feira (12) é o Dia Mundial da Enfermagem reforça o quanto esses profissionais merecem reconhecimento
Rebeca Ângelis Por: 12/05/2020 - 18:23
O que seria de nós sem a enfermagem?
Reprodução/Freepik
Enfermagem. Do latim, Firmus, define quem é forte, resistente, firme. É quem cuida dos enfermos. Em meados do século 19, duas mulheres deram vida e lutaram para a enfermagem ter reconhecimento como profissão: Florence Nightingale, na Inglaterra; e Ana Nery, no Brasil.
 
Nesta terça-feira (12), é lembrado o Dia Mundial da Enfermagem. Dia da maior categoria de profissionais da área de saúde. São eles que se destacam por atuarem no enfrentamento ao coronavírus no Brasil e no mundo.
 
De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), esses são os profissionais que estão mais expostos à doença, pois mantêm contato direto com os pacientes. Independente do estado de saúde, são os enfermeiros que participam de vários processos como intubação, ventilação mecânica, banho no leito, troca de vestimentas, entre outros.
 
“A enfermagem hoje é o centro de todos os serviços de saúde em todo o mundo. Ser enfermeiro, em qualquer parte do mundo, implica ter um papel crucial em salvar vidas. É poder avaliar casos suspeitos do vírus, de maneira técnica. Somos nós quem estaremos sempre presentes, dando cuidado e assistência, seja em qualquer doença, em caso de agravamento do quadro”, ressalta Michelline Almeida, enfermeira atuante do Hospital Barros Lima de Pernambuco, que atende pacientes que contraíram a Covid-19. 
 
Plantões e seus desafios
 
Diante de várias doenças que hospitais já lutam para combater, o cenário da pandemia tem mostrado ainda mais a importância da enfermagem na linha de frente. 
Para Michelline, o maior desafio tem sido perder outros colegas enfermeiros, que também lutavam na assistência aos pacientes e no combate ao vírus.
 
Ela, que também chegou testar positivo para a Covid-19, explica que ficou curada e resolveu voltar para a atuação efetiva. Em sua função ela admite que é preciso muita cautela e reconhece  os riscos aos quais se submete para seguir exercendo seu papel.
“Conseguir lidar com as perdas tem sido difícil. Inclusive, quando são colegas de trabalho, que estão exercendo sua profissão, e lutam para ajudar outras pessoas”, lamenta. 
 
De acordo com o Cofen, há cerca de 12 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem entre infectados e suspeitos de terem contraído a doença. Todos foram afastados com suspeita ou confirmação de estarem com o novo coronavírus. E, Infelizmente, 94 já perderam a vida.
 
Para Eduardo Fernando de Souza, enfermeiro e membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), no quesito Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), não existe reinvenção para quem atua na área, em meio a escassez e condições precárias, para que profissionais executem seu trabalho. O que existe são profissionais oferecendo tudo de si, inclusive a vida, em prol de atender a população com o novo coronavírus ou pessoas com suspeita de estarem contaminadas. 
 
Ele ressalta que fazer com que profissionais de enfermagem se protejam utilizando capas de chuva, sacos de supermercados, sacos de lixo, garrafas pet, é descaso com a profissão. “Além de não proteger ninguém, esses materiais machucam os profissionais e os ridicularizam frente à sociedade, entre os profissionais da saúde, levando apelidos e contaminação para suas casas e entes queridos. Não é possível que um país como o Brasil, em suas dimensões gigantescas e de muitos acessos econômicos internos e externos, não possa prover o mínimo necessário para quem está à frente da morte de outros”, questiona o enfermeiro.
 
Fernando, que também integra o Comitê Gestor de Crise COVID-19 do Conselho Federal de Enfermagem, revela que o que mais lhe preocupa é a quantidade de denúncias sobre a falta de EPIs, profissionais que deveriam estar afastados por possuírem idade superior a 60 anos ou doenças que se enquadram no grupo de risco atuando na linha de frente. O cuidado com a saúde mental abalada de todos também é um ponto delicado.
 
Já para Sérgio Dias, enfermeiro atuante no Atendimento Pré-hospitalar na cidade de São Paulo, um dos maiores desafios que enfrenta são os pacientes que não têm a chance de um tratamento digno nos hospitais superlotados, UTIs sem equipamentos, com pessoas recém formadas e sem treinamento.
 
“Enfermeiros, não são super heróis”
“Somos seres humanos. Não somos super heróis.Temos família, temos amigos, temos vida, além de tudo. E essa vida não pode ser desperdiçada ao sabor dos ventos ruins que insistem soprar contra nós.”, desabafa Fernando.
O amor pela profissão de cada um desses profissionais se dá na certeza que é necessário enfrentar, sobretudo, a pandemia de forma competente e bem organizada, auxiliando a todos na melhor prática assistencial prestada aos pacientes.
 
Neste momento de pandemia, o principal objetivo é alcançar a todos os profissionais e ampará-los como merecem. “Não queremos visibilidade, mas, sim, queremos tornar nossas ações plausíveis a quem está na ponta, enfrentando o inimigo em desigualdade”, finaliza Fernando. 
 

 

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