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Museus do Nordeste: um acervo que foge à regra do obsoleto

No Dia do Nordestino, comemorado nesta segunda-feira (8), separamos 3 importantes museus que guardam memórias vivas até hoje, confira!
Rebeca Ângelis Por: 05/10/2018 - 17:44 - Atualizado em: 05/10/2018 - 17:57
Reprodução/Rafael Bandeira/Exclusiva BR
Reprodução/Rafael Bandeira/Exclusiva BR

Por muitas vezes, o Nordeste nos remete ao Sertão, aquele que Patativa do Assaré - principal símbolo do Dia que lembra os nordestinos, celebrado nesta segunda-feira (8)- de forma muito peculiar, já entoava num verso:  “Sertão, argúem te cantô, Eu sempre tenho cantado. E ainda cantando tô, Pruquê, meu torrão amado, Munto te prezo, te quero. E vejo qui os teus mistéro. Ninguém sabe decifrá. A tua beleza é tanta, Qui o poeta canta, canta, E inda fica o qui cantá.”.

O ser e o tão nordestino é mais do que uma característica do Semi-árido Brasileiro. Incrusta-se no coração de cada ser humano, moldado por paisagens peculiares que somente lá existem. São detalhes infindáveis que cabem em um museu. Esse último, em sua etimologia, surge como local que se consagra pela conservação e exposição de coleções que tenham um valor cultural do passado, uma memória.

No entanto, falar dos museus do Nordeste é revisitar o passado não tão distante, devido ao que ainda, nos tempos de hoje, é transmitido culturalmente, de geração em geração.Trata-se de uma herança histórica cultural, um tanto nostálgica, porém nunca obsoleta.Separamos uma lista com três desses museus da capital pernambucana, que refletem esse sentimento, na prática. Confira!

Museu Cais do Sertão

De um lado a vista para o mar, do outro, um juazeiro seco, com mais de 50 anos, pesando 10 toneladas e trazido do interior de Pernambuco. Em uma analogia do sertão que vira mar, na recepção, ele serve como senha de entrada para um mundo particular - e por que não infinito?- das singulares características que compõem o cenário nordestino.

As trilhas, que ora passeiam por sonoridades de instrumentos como sanfona e zabumba, ora pela rabeca e afins, permite ao visitante um mergulho simbólico para entender- mesmo que empiricamente- o quão rico e vasto é a cultura desse lugar quente do país. São roupas, reprodução da casa sertaneja, instrumentos musicais de figuras importantes- como o eterno rei do baião Luiz Gonzaga, cordéis, peças de artistas da terra, feitas a mão e muitas outras riquezas.

No mundo do touch screen, o barro que predomina o espaço também se abre para túneis modernos. O do diabo, por exemplo, revestido de reflexos do espelho,resgata a velha fama do “tinhoso”, com sussurros de seus pseudônimos: “demônio, coisa ruim, capeta, satanás”. O espaço conta ainda com mostras de longa duração, incluindo salas com documentários e curtas que abrange ao tema nordestino.

Museu Homem do Nordeste

Com um acervo que reúne  a pluralidade das culturas negras, indígenas e brancas, desde 1979, o Museu Homem do Nordeste (Muhne) é composto de coleções caracterizadas por variedades que vão, desde objetos provenientes das casas das famílias dos senhores de engenhos, até artigos simples, porém marcantes, de uso cotidiano das famílias pobres.

Arte, brinquedo, vestuários e instrumentos das festas populares, são objetos que se destacam no espaço, revelando a diversidade cultural de nossa sociedade, sobretudo, pernambucana. São peças pertencentes às famílias dos senhores de engenho, como as coleções de porcelanas e objetos de uso de famílias tradicionais da região; Bem como alguns objetos simples que já fizeram parte do uso do nordestino, da herança do índio, dos portugueses e de escravos.

Parte das peças que compõem o acervo revela como era o Nordeste antes mesmo do descobrimento do Brasil, junto ao trabalho dos índios fulniôs e dos kaapores.Outra parte revela aspectos da vida colonial nordestina, retrato da cultura canavieira: moendas, utensílios para cultivo da cana-de-açúcar e uma coleção de aguardente. A viagem também remete pensar nas casa simples de taipa e utensílios que representam as manifestações sócio-culturais presentes no Nordeste, como a arte em cerâmica, a festa carnavalesca e artesanatos que representam cultos religiosos, com todo o seu sincretismo.

Majoritariamente, o lugar propõe uma reflexão acerca de como as pessoas pensam sobre sua própria identidade e outras constitutivas da sociedade brasileira contemporânea. As variadas exposições itinerantes ou permanentes contribuem para a compreensão de um passado distante, com referências que ainda perduram no mundo atual. A visitação é composta por abordagens relevantes para a compreensão entre grupos sociais, memórias de luta, superação de desigualdades sociais, busca da equidade e dos direitos da cidadania para todos.

Paço do Frevo

O frevo que nasce em Pernambuco é o que perpetua pelo mundo. Assim é a sensação de quem entra no Paço do frevo, inaugurado no dia 9 de fevereiro de 2014, data em que se celebra o aniversário do ritmo mais importante do Estado. O museu também já possui o título de Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Patrimônio Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

Logo na entrada, os visitantes são levados pela magia das salas vermelhas, compostas por várias escrituras de personalidades que fizeram parte da história do ritmo cultural. Composto de três andares, o prédio se divide em espaços para exposições de curta e longa duração, escola de dança, escola de música e um centro de documentação do ritmo desde os primórdios da cultura.

O ritmo fica ainda mais efervescente ao entrar no elevador, quando o colorido das luzes e o frevo marcam presença. No primeiro andar, a exposição fixa com diversas fotografias ganha vida, através de personagens reais: os cidadãos recifenses, da classe operária, festejando o frevo e suas variantes nas ruas. Do outro lado - numa espécie de túnel do tempo uma sala com relógio lembra - desde 1900, como a história do ritmo e gênero do frevo ganhou vida no país, sobretudo, em Pernambuco.

O Museu, que também é um centro cultural, dispõe ainda de diversas atrações que incentivam o conhecimento do frevo, desde sua origem da capoeira, até o que sobreviveu ao tempo, com histórias marcantes. A exemplo estão as escolas de dança e música, que fornecem oportunidade o ano todo, no intuito de difundir a ideia de formação profissional, físico e cultural.

Já o último andar, não deixa por menos. Uma ampla exposição com 365 fotos recebe quem chega e percorre a rotina e preparações dos foliões que participam do carnaval. Sentir “a embriaguez do frevo que entra na cabeça, passa pelo corpo e acaba no pé”, é uma experiência prática neste salão, que tem o piso inteiramente de vidro, com os clássicos estandartes que marcaram gerações.

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