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Mulheres boas no que fazem

Grupos em redes sociais que ajudam a conectar mulheres crescem e mostram que elas podem, sim, fazer de tudo
Por: Katarina Bandeira 08/03/2018 - 09:00 - Atualizado em: 08/03/2018 - 14:30
Bruna resolveu criar o grupo para poder se conectar profissionalmente com outras mulheres. Foto: Caio Calado/Cortesia
Bruna resolveu criar o grupo para poder se conectar profissionalmente com outras mulheres. Foto: Caio Calado/Cortesia

Um espaço para mulheres trocarem ideias e fazerem negócios. É assim que começa a descrição do grupo Networking das Minas (PE), uma comunidade online apenas para mulheres que buscam ou oferecem serviços e oportunidades de emprego. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somando afazeres domésticos, trabalhos remunerados e cuidado de pessoas, as brasileiras ainda trabalham, pelo menos, três horas a mais do que os homens inseridos no mesmo mercado. Elas estão lá, com melhores formações acadêmicas, em maior número, lutando para diminuir as estatísticas de desocupação, mas mesmo assim escondidas em um mercado que prefere empregar e pagar mais por pessoas do sexo masculino.

 

Foi buscando saber onde encontrar esse nicho, a fim de criar uma rede feminina, que a jornalista Bruna Monteiro resolveu criar o grupo, que hoje conta com quase seis mil mulheres participantes. “Morei em São Paulo durante um ano e lá tive contato com um mundo de economia colaborativa, empreendedorismo social e feminino. Porém quando voltei a morar em Recife, eu não encontrei nada parecido com esse espaço, aqui. Ficava tentando me conectar com mulheres para produzir projetos, fazer parcerias, mas não sabia onde elas estavam. Buscando esse encontro, eu criei o grupo”, explica a empreendedora, que se baseou em uma comunidade nacional e ficou surpresa ao perceber que essa também era a demanda de outras mulheres pernambucanas. “Nos dois primeiros dias tiveram mais de 600 mulheres pedindo para entrar, isso só mostra como realmente havia pessoas querendo encontrar essa proposta”, afirma.

Em maio de 2017, mais de 51% dos desempregados era do sexo feminino, segundo o IBGE. No início deste ano, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), apresentou dados informações de queda no percentual de desocupação, mas que não reflete o número de contratações via CLT e sim, o aumento de negócios informais. Em um ano surgiram cerca de 986 mil trabalhadores por conta própria e quase 600 mil postos de trabalho informal.

 Faça você mesma

É o oferecimento desses serviços, feitos pela própria candidata, que mais ajuda as mulheres na rede. Artesanato, serviços de estética, costura, gerenciamento de mídias sociais, diárias de limpeza, entre outras atividades que não precisam de uma assinatura na carteira de trabalho, estão entre as mais buscadas e as mais oferecidas na comunidade online.

"Sou proprietária da marca Pililica Artes, e duas semanas antes do Carnaval fiz uma publicação de doleiras impermeáveis aqui no grupo. Minha intenção era vender umas dez, mas para minha surpresa, só para duas clientes vendi 14”, conta a artesã Ursula Albuquerque, que também recebe elogios das clientes. “No meu post poucas pessoas comentaram, mas muitas me chamaram no particular. Muitas com a consciência de ajudar as ‘minas’ e ‘manas’. Sem contar com o respeito que temos umas com as outras aqui, sem dúvida o melhor grupo", afirma.

Outra mulher que também encontrou apoio na comunidade foi a tatuadora Lua Barral. Ela se tornou mãe recentemente e estava encontrando dificuldades para alternar a jornada de cuidar do bebê e pagar as contas, realidade que aflige milhares de mulheres, todos os dias.“Postei que tinha acabado de ter neném, que estava tatuando em casa e com um precinho bacana. Tinha feito um desabafo em outro grupo feminista e algumas manas também tinham visto. Recebi um apoio imenso tanto aqui quanto lá, não só mensagens de apoio, como uma enxurrada de curtidas nos meus perfis profissionais nas redes. Tive o grande prazer de tatuar mulheres incríveis, e fazendo boas amizades. Passando por um puerpério pesado e sozinha, fez uma diferença notável no meu astral, sem falar do apoio financeiro e também muito apoio, doações e carinho para mim e meu bebê, conta.

Apenas mulheres

Para manter a ideia de uma rede exclusivamente de mulheres o grupo permanece fechado, com o ingresso passível de moderação. “O grupo é secreto justamente para guardar o conteúdo deles para as mulheres. Às vezes aparecem vagas e outras pessoas divulgam para homens, o que não é o nosso objetivo. Não é que a gente não queira que os homens não arranjem empregos, mas estatisticamente os trabalhos aparecem mais facilmente para eles, então porque não a gente tentar divulgar para nossas 'manas' primeiro? Tentamos, com o grupo, buscar essa equiparidade, essa diversidade", esclarece Bruna.

Ela também ressalta que mulheres trans são bem-vindas ao espaço virtual “Mulheres trans são mulheres e o que o nosso objetivo é que todas se conectem e fortalecer a rede, criando espaços para as mulheres se empoderarem através de negócios, empregos e tudo mais que faça diferença na vida delas”, finaliza.

A história por trás do 8 de março

Apesar da data ser considerada uma celebração ao feminino, o dia 8 de março é o resultado de uma diversas lutas e reivindicações das mulheres, principalmente por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos. No ano de 1857, trabalhadoras de uma indústria têxtil de Nova Iorque, entraram em greve por melhores condições e igualdade de direitos trabalhistas. O movimento violentamente reprimido. No dia 25 de março de 1911, cerca de 145 trabalhadores, sendo sua maioria do sexo feminino, morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos nos Estados Unidos, por conta de condições de segurança precárias, no local. A tragédia foi o estopim para várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança na cidade americana.  

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, decidiu-se que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem aos vários movimentos que estavam acontecendo, como forma de obter apoio internacional para luta. Porém, apenas em 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a celebrar a data em 8 de março.

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