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82 anos da morte de Lampião e Maria Bonita

A origem do grupo se deu pelo descaso e pelas desigualdades no sertão nordestino
Assessoria de Comunicação Por: Natali Reis 29/07/2020 - 10:40
Há 82 anos, Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, e sua mulher, Maria Déa, apelidada como Maria bonita, eram decapitados no sertão sergipano. Esse importante fato tem relação direta com o surgimento do cangaço e com problemas políticos e socioambientais da época. O historiador e professor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Salvador, Júlio César Teixeira, explica a importância desse contexto histórico para a cultura nordestina.
 
Os primeiros bandos armados independentes do controle de fazendeiros foram formados nos últimos anos do Império, depois da grande seca (1877-1879), fenômeno que ocasionou a morte de mais de 400 mil pessoas e migração de milhares de nordestinos para outras regiões do país. “Neste período, houve um aumento significativo da miséria e da violência. Muito embora as primeiras manifestações de banditismo ocorreram por volta de 1870, com Cabeleira, e perduraram até 1940”, disse o historiador.
 
O movimento do cangaço é caracterizado por muitos historiadores como banditismo social. “Essa manifestação sempre teve uma causa, fosse a seca ou as brigas por terras e gados, mas que, em todo seu contexto, imperou a desigualdade social e a ausência do estado ou até mesmo de uma polícia”, explicou Júlio.
 
Figura de destaque, conhecido com rei do cangaço, o pernambucano Lampião e seu bando, incluindo Maria Bonita, sua cúmplice, saquearam fazendas e extorquiam comerciantes. Foi justiceiro para uns e impiedoso para outros. “Em Lampião, os sertanejos encontravam proteção e certo prestígio, poderia falar de igual para igual com seus antigos opressores, resolver pendências, vingar honras, ultrajar e fazer justiça à sua moda. A política interna do país era caracterizada e voltada para a disputa de oligarquias pelo poder”, enfatizou.
 
O bandido mais procurado da época, Lampião, e seu bando foram mortos em 1938, na Grota do Angico, em Sergipe, por tropas liderada por João Bezerra da Silva, em 28 de julho. O episódio ficou conhecido por "Massacre de Angico". Esse fato, segundo o historiador, foi destaque durante 11 dias nos jornais da época, até com visibilidade internacional, no Jornal The New York Times.

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