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6 mulheres símbolo da resistência

Diante da luta diária, as mulheres romperam paradigmas e se tornaram símbolos da resistência. Conheça e relembre algumas delas
Por: 21/11/2018 - 17:41 - Atualizado em: 26/11/2018 - 08:42

Neste domingo (25) é comemorado o Dia Internacional da Não-violência Contra a Mulher. A data foi instituída em 1999 durante  Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e faz referência às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”. Elas lutavam contra o regime ditatorial, que se espalhava pela República Dominicana,  e foram assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo.

‘Las Mariposas’ tiveram os ossos quebrados e os corpos encontrados no fundo de um precipício. Na época, o crime causou grande comoção no país e, tempos depois, Trujillo foi assassinado. O  Dia Internacional da Não-violência Contra a Mulher é uma forma de homenagear as irmãs e refletir sobre a vulnerabilidade feminina diante da violência cotidiana. Diante da luta diária, as mulheres romperam paradigmas e se tornaram símbolos da resistência. Conheça e relembre algumas delas:

Rainha Nzinga (ANGOLA)

O comércio de escravos praticado pelos portugueses e a exploração de riquezas em Angola enfrentaram a resistência liderada pela rainha Nzinga. Com liderança política e militar, ela lutou para que os portugueses fossem impedidos de invadir o Continente Africano durante 40 anos.

Os registros históricos da época relatam que com a chegada do novo governador português a Luanda, uma tentativa de paz entre os povos foi proposta. Para fazer parte da conversa entre as lideranças, o rei ngola Mbandi mandou a irmã, Nzinga. Na ocasião, o governador a recebeu sentado e não lhe ofereceu cadeira. Diante da situação, Nzinga, que era princesa na época, ordenou que uma de suas acompanhantes se posicionasse de quatro no chão para que pudesse sentar sobre ela.

Ao se retirar do espaço, a princesa deixou a acompanhante na mesma posição e, mesmo com o aviso do governador para levar a mulher, Nzinga desdenhou, alertando que não sentaria mais 'naquele banco' porque tinha outros mais. A fala da liderança foi para exigir tratamento igualitário e descartando a subserviência ao governo português.

Além disso, Nzinga exigiu que o governo ibérico abandonasse as instalações no continente, libertasse os chefes africanos prisioneiros e entregasse um lote de arma. Como parte do tratado de paz, ela se submeteu ao batismo católico. No entanto, os portugueses não cumpriram a parte que lhes cabiam no acordo, com isso, a rainha Nzinga iniciou uma luta armada que impediu a presença portuguesa no continente.

Dandara (BRASIL)

O capítulo dos livros de história que fala sobre o Quilombo dos Palmares evidencia e enaltece a figura de Zumbi enquanto negligencia a presença de Dandara. A mulher teve destaque na luta pela liberdade de negros e negras do Brasil tanto quanto o marido. Mãe de três filhos, Dandara foi liderança e símbolo do feminismo na época. Dispensando os padrões impostos pela sociedade, ela dominava técnicas de capoeira e articulava estratégias para a resistência do quilombo.

De acordo com estudos, ela foi responsável pelo rompimento entre Zumbi e Ganga-Zumba, primeiro chefe do Quilombo dos Palmares e tio do marido. Em 1678, o antecessor de Zumbi assinou um acordo de paz com o governo de Pernambuco. O documento estabelecia que as autoridades libertassem palmarinos e os nascidos no quilombo, mas, em troca, os habitantes de Palmares deveriam entregar os negros que estavam em busca de abrigo no território.

Dandara e Zumbi foram contrários ao acordo, assim como, alguns moradores do Quilombo. Para eles, o documento não pregava a liberdade e dava margem para a continuação da escravidão. Diante da insatisfação, Ganga-Zumba foi assassinado. Com a continuação da perseguição aos negros e negras, o território foi invadido e Dandara presa. Em 1694, ao se ver novamente na condição de escrava, Dandara se jogou de uma pedreira em direção a um abismo.

Maria da Penha (BRASIL) 

Nordestina e mãe, Maria da Penha viu sua vida mudar em maio de 1983. No quarto escuro, ela foi acordada por um estouro. Levara um tiro. Ao tentar sair daquele estado de pânico, a farmacêutica se viu inerte e, a partir daquele momento, ela só clamava pela vida. Na casa, Maria vivia ao lado das três filhas e do marido, o colombiano Marco Antonio Heredia Viveros. De companheiro, Marco passou a ser suspeito da tentativa de homicídio à esposa - tese comprovada tempos depois. Como consequência do tiro, a cearense não conseguiria mais andar.

O caso se tornou internacionalmente conhecido, em 1994, com a publicação da obra Sobrevivi… Posso Contar, em que ela relata a história de vida. Foram 19 anos de luta para que Marco Antonio fosse condenado. Um processo longo e árduo, mas que não tirou as forças de Maria da Penha para levar o caso adiante. A resistência da farmacêutica deu margem para a promulgação em 2006, da Lei Maria da Penha, que pune a violência doméstica no país.

Malala Yousafzai (PAQUISTÃO)

Com apenas 17 anos, Malala Yousafzai conquistou o Nobel da Paz de 2014. Vítima do extremismo e machismo, a jovem paquistanesa ultrapassou todos os imbróglios e segue sendo exemplo a muitas meninas e mulheres ao redor do mundo com discursos coesos e que promovem a equidade.

Em 2009, o Talibã [movimento fundamentalista islâmico] proibiu 50 mil garotas, que viviam em Suat, no Paquistão, de estudar. Contrariando a imposição, Malala Yousafzai seguia firme em busca do sonho de tornar-se médica. Três anos depois, a paquistanesa, na época com 15 anos, seguia em um ônibus escolar quando foi baleada na cabeça por talibãs. Além de Malala, outras duas meninas também foram atingidas.

As jovens foram levadas para o hospital militar de Peshawar. Yousafzai tinha a situação mais delicada e precisou passar por cirurgia. Além disso, a jovem foi transferida para o Reino Unido. Durante 10 dias, ela foi mantida em coma induzido. A recuperação de Malala foi considerada surpreendente, por não apresentar sequelas. A história da ativista virou livro [Eu sou Malala] e ganhou espaço na Assembleia de Jovens da ONU e imprensa. A fala categórica de Yousafzai ecoa por várias partes do mundo e serve como combustível para luta pela educação e liberdade.

María José Castro (VENEZUELA) 

Portuguesa radicada em Caracas [Venezuela], Maria José se tornou símbolo da manifestação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Na ocasião, maio de 2017, ela se envolveu na bandeira do país e se posicionou em frente a um tanque da Guarda Nacional Bolivariana.

Movida pela crise que afeta a Venezuela, país onde vive há 40 anos, Castro decidiu ir às ruas e se juntar aos milhares de jovens que gritava palavras de ordem contra Maduro. Em entrevista à RTP Madeira, imprensa portuguesa, ela afirmou que o ato de se colocar à frente do tanque foi motivado por amor ao país.  Em meio às bombas de gás lacrimogêneo, arremessadas pelos militares, ela seguiu rezando pelos jovens. “Quero este país, vou morrer aqui. Não vou deixar esta pobre gente com semelhantes monstros”, afirmou.

Ahed Tamimi (PALESTINA)

O ativismo corre nas veias de Ahed Tamimi desde muito cedo. A favor do reconhecimento da palestina e contra a instalação militar, a adolescente, de 17 anos, é considerada ícone da resistência palestina contra a ocupação dos territórios por Israel. Em julho de 2018, Ahed deixou a penitenciária israelense de Hasharon [área central de Israel], após ser condenada por bater em soldados

Ela tornou-se mundialmente conhecida após o vídeo, em que aparece enfrentando soldados, viralizou. No entanto, sua história de luta e resistência iniciou aos 12 anos ao enfrentar, ao lado da família, soldados para enfrentar detenção do irmão. Na tentativa de encerrar a ocupação do território palestino por Israel, vários membros da família Tamimi foram mortos em confrontos com militares.  

Conhece alguma mulher que é símbolo de resistência? Conta para a gente nos comentários!

 

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