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Defensor público: a missão de garantir direitos aos necessitados

Neste 19 de maio, é lembrado o Dia do Defensor Público. Confira a importância dessa área no direito!
Thayná Aguiar Por: 19/05/2020 - 17:52 - Atualizado em: 19/05/2020 - 18:05
Reprodução/ Pixabay
O 19 de maio é marcado por ser o Dia do Defensor Público. Esse cargo que tem como suas principais funções prestar orientação jurídica e exercer a defesa dos necessitados em todos os graus, além de buscar, prioritariamente, uma solução extrajudicial, por meio de uma mediação ou conciliação diante dos conflitos. Também é função da Defensoria Pública promover a difusão e conscientização dos direitos humanos, da cidadania e do ornamento jurídico.  
 
De acordo com a professora de Direito Civil Luciana Garret, as funções de um defensor são encontradas em um artigo da Constituição Federal. “Com fulcro no art. 134, da CF, verifica-se que ao defensor público cabe, de forma gratuita e integral, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal, em todos os graus de jurisdição, quer judicial quer extrajudicial, incluindo-se tanto os direitos individuais quanto os coletivos”, detalhou a docente.
O defensor público do Estado de Pernambuco Manoel Jerônimo de Melo dá detalhes da sua função. “Um defensor presta assistência jurídica e consultoria às pessoas que não podem pagar um advogado. Pela nossa lei interna, quem ganha abaixo de quatro salários mínimos pode ter o serviço da defensoria pública. Assim, vamos fazer um trabalho individual ou coletivo em prol dessas pessoas. Desde consultoria jurídica, orientação, até a assistência, ser o patrono de suas causas”. 
 
Segundo o Manoel Jerônimo, o dia a dia de um defensor público é intenso e requer amor à profissão, visto que a maior missão deste cargo é garantir direito a todos os necessitados. “A rotina do defensor público é muito forte e ativa, porque são muitas pessoas com necessidades de ter uma assistência jurídica. Os conflitos sociais, pessoais, são diversos. Então essas pessoas precisam procurar um defensor público que possa resolver situações de várias áreas da vida da pessoa. Muitas vezes, a gente consegue resolver através de sessões de mediação e conciliação e isso é muito importante porque a gente desafoga o Poder Judiciário”, destaca o profissional.
 
“O defensor público é um servidor essencial, assim como é um juiz, o promotor, o médico do serviço público. Ele pode conseguir, de uma vaga de UTI até um divórcio. Ele consegue tudo na Justiça. Todos os direitos que ele puder conseguir, para aquele que têm direito, ele consegue de graça para o cidadão”, continua.
“Para ser defensor público tem que gostar do cheiro do povo, tem que gostar de trabalhar. É necessário atender com dedicação, presteza, gentileza, fazendo com que aquele assistido, aquela pessoa que chegou com o coração aflito até o defensor, possa se sentir segura e, realmente, acolhido pelo Estado na pessoa da defensoria pública”, completa Manoel Jerônimo.
 
Defensoria Pública dos Estados x Defensoria Pública da União
Além da Defensoria Pública de cada estado, também existe a Defensoria Pública da União. Mesmo ambas sendo defensorias, há pontos que diferem uma da outra. Janini Lobo, professora de Direito Constitucional, destaca a diferença entre elas. “A Defensoria Pública Estadual atua em áreas voltadas para família, pensão alimentícia, guarda de menores, separação e divórcio, área criminal, criança e adolescente, tutela de direitos coletivos, moradia. Por outro lado, a Defensoria Pública da União atua em processos envolvendo órgãos federais, como, por exemplo, ações previdenciárias, sistema financeiro de habitação, LOAS, trabalho, tributário”.
 
Serviço Essencial
Para ambos profissionais da área de direito, a defensoria pública tem extrema importância para a sociedade. “Nem todos têm a condição financeira para contratar um advogado, todavia, é direito de toda pessoa ter a devida e necessária defesa de seus interesses. Enquanto advogada e professora, admiro e agradeço pela atuação da defensoria pública, essencial para o acesso à Justiça de grande parte da população brasileira”, destaca a professora de Direito Civil Luciana Garret.
“A Defensoria Pública exerce um papel social de destacada importância, sendo fundamental, essencial à justiça. Louvável é o papel desempenhado por defensores e defensoras públicos, atuando em defesa dos necessitados, dos hipossuficientes, na promoção da tutela de direitos coletivos”, endossa Janini Lobo, professora de Direito Constitucional. 
 
Como se tornar um Defensor Público?
“Para ser defensor público estadual ou federal é preciso se submeter a concurso de provas e títulos. O candidato deverá ser bacharel em direito, possuir OAB, comprovar em média 3 anos de prática de advocacia. O concurso envolve 3 etapas: prova objetiva, prova subjetiva e prova oral. Quanto às principais matérias cobras, temos, no âmbito da Defensoria Pública dos Estados: Direito Constitucional, Direito Penal, Processo Penal, Direitos Coletivos em sentido amplo, Direito da Criança e do Adolescente, Direito Processual Civil, Direitos Humanos”, explica a professora Janini Lobo.
“Quanto às principais matérias cobradas na prova da Defensoria Pública da União, temos: Direito Penal, Direito Civil, Empresarial, Direito do Consumidor, Direito Penal Militar, Direitos Humanos, Direito Ambiental, Direito Eleitoral, Direito do Trabalho, Filosofia do Direito, noções de sociologia, criminologia, ciência política, Direito Administrativo, Direitos Humanos”, finaliza.
 

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Dia do gari: "Atuar na pandemia só prova a importância da nossa profissão"

Kennedy Silva, de 24 anos, descreve sua rotina em meio aos problemas ocasionados pelo novo coronavírus
Por: 15/05/2020 - 16:55
Um trabalho fundamental, que exige muito esforço, mas que é pouco reconhecido. É assim que Kennedy Silva, 24 anos, gari no município de Umuarama-PR, descreve sua profissão. E para provar sua tese, ele sugere um exercício de reflexão: "Imagina como o mundo seria se não existissem garis?". Ele mesmo responde: "Eu não consigo imaginar". Neste sábado (16), é celebrado o Dia do Gari no Brasil. A data tem o objetivo de homenagear os profissionais que recolhem todo o lixo deixado pela sociedade e, consequentemente, mantém a higienização urbana. No entanto, Kennedy deseja mais que uma singela homenagem. Ele cobra a valorização da profissão.
 
"No Brasil, a nossa categoria não é nem um pouco valorizada. É que eu entendo que quando você quer valorizar alguém, você presenteia, você investe. Isso é uma forma de valorizar. Muitas vezes, em alguns municípios, o gari nem insalubridade ganha. Nós ganhamos 40% da insalubridade, mas é um serviço periculoso também. Mas a lei só permite que seja pago ou um, ou outro", lamenta o profissional.
 
A desvalorização, segundo Kennedy, também não parte apenas das empresas e da legislação brasileira. Muitas vezes, ele comenta, a população não toma certos cuidados na hora de descartar o próprio lixo e acaba expondo o gari a riscos, como no caso de seringas, vidros e materiais cortantes. "Talvez, se as pessoas tivessem que dar o destino para o lixo delas, elas dariam mais valor à profissão. O que acontece hoje é que as pessoas botam o lixo para fora e dane-se quem vai pegar. Elas não sabem quem pega, ela não vê quem pega. A gente acaba correndo risco de contaminação e de doenças", se queixa o gari.
 
E o que prova a importância da profissão, para Kennedy, é ela está inclusa na lista de serviços essenciais de todos os municípios, estados e do governo Federal. "Atuar na pandemia do novo coronavírus só prova a importância da nossa profissão. Com o pessoal estando em casa, a coleta tem que funcionar de uma maneira ainda mais eficaz. Se estão em casa, o consumo com certeza aumenta. Nossa profissão deveria ser valorizada igual a um médico", comenta, orgulhoso por poder ajudar a sociedade, mas sem deixar de cobrar paridade de direitos.
 
Diário de um gari
 
Com o objetivo de mostrar a importância e os riscos da profissão para a sociedade, Kennedy começou a gravar vídeos sobre seu dia a dia. Esses vídeos rapidamente viralizaram nacionalmente. Com o feito, Kennedy foi entrevistado por grandes emissoras nacionais e ficou rapidamente conhecido. Com a fama, ele criou uma página em uma rede social chamada "Diário de um Gari", onde posta conteúdos diariamente.
 
"Foi um reconhecimento muito grande e a partir daí que eu criei a página. Mas a ideia é mostrar o dia a dia do gari e mostrar o lado que ninguém conhece da profissão", comenta.
 
Apesar de todo esforço que a profissão exige, para Kennedy, no final, o saldo é positivo. "Às vezes você encontra coisas legais, outras que te chateiam. Às vezes está frio demais, chove muito. Não é uma rotina fácil, é muito cansativa. Costumo dizer que a nossa profissão é ingrata, mas muito gratificante", destaca.

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Faculdade produz máscara face shield com impressora 3D

Assessoria de Comunicação Por: Rayanne Bulhões 15/05/2020 - 15:29 - Atualizado em: 18/05/2020 - 12:26
A Faculdade UNINASSAU Belém, por meio das graduações em engenharia,  confecciona máscaras face shield. Uma equipe de professores revezam-se, no laboratório de engenharia mecânica, na unidade Quintino Bocaiuva, na produção do primeiro lote com 200 unidades. A expectativa é que o equipamento de proteção individual (EPI) fique pronto até o dia 25 de maio. 
 
A iniciativa, chamada "Projeto Atitude 3D", atende a uma demanda local pela escassez de EPIs, principalmente nas unidades básicas de saúde. A haste de encaixe do equipamento foi projetada para uma impressora 3D. Cada impressão dura 20 minutos e são produzidas, em média, 30 unidades ao dia.
 
O modelo do protótipo foi adquirido na internet, gratuitamente, e readaptado - tanto o design, como o tempo de impressão de cada peça - pelo professor da UNINASSAU, Rodrigo Galvão. "Nós utilizamos alguns softwares para otimizar o tempo de fabricação. O que era feito em 40 minutos, reduziu para 20 minutos. Um custo que era de R$36, ficou em R$3,50 a unidade. Assim, seguimos ajudando, na certeza de que embora a doença possa tirar vidas, ela não remove a nossa responsabilidade e esperança com o próximo", disse o também engenheiro, Rodrigo Galvão.
 
A máscara face shield é um dos itens essenciais dentro de um EPI. Ela funciona como primeiro isolamento físico nos profissionais de saúde. Os equipamentos barram qualquer possível contato com gotículas de pacientes contaminados, lançadas durante a fala ou tosse, por exemplo. Com a proteção, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos da saúde ficam mais protegidos de contaminações, principalmente, por meio dos olhos, boca e nariz.
 
Em uma segunda etapa, os estudantes da UNINASSAU irão ajudar nas montagens das viseiras de acetato e nas colocações de elásticos. Segundo o coordenador das graduações em engenharia, Luis Tadaiesky, a comunidade acadêmica está engajada na atividade de responsabilidade social. "Neste momento difícil, o papel dos cursos de Engenharia é, dentro de suas competências, ajudar a população. A gente sabe que é um momento complicado e que necessita de empatia. Nós estamos, de certa forma, retribuindo a ajuda que os profissionais da saúde exercem frente à pandemia do novo coronavírus", falou o gestor.    
 

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Você sabe o que é racismo reverso?

O termo é questionado dentro e fora do espaço acadêmico e dá margem para debate
Por: Elaine Guimarães 13/05/2020 - 10:00 - Atualizado em: 13/05/2020 - 15:11

Com certeza, você já ouviu falar no termo ‘racismo reverso’. Em linhas gerais, ele é definido como atos discriminatórios praticados por minorias sociais ou étnicas contra a maioria. Ou seja, um racismo às avessas. No entanto, engana-se quem acredita que o termo é algo novo.

A expressão surgiu nos Estados Unidos durante o movimento dos direitos civis dos negros - luta da comunidade afro-americana por igualdade e garantias no país - , na década de 1960. À princípio, era mais corriqueiro o uso do termo ‘racismo negro’, em referência a grupos como, por exemplo, os Panteras Negras, e ganha força na década de 1970, em resposta às políticas de ações afirmativas nascidas na época.

A ideia de racismo reverso no Brasil cresce, à medida que as ações afirmativas, como as cotas sociais e raciais, avançam e se consolidam no país. Sem embasamento empírico, o termo é questionado dentro e fora do espaço acadêmico e dá margem para debate. Para o professor e mestrando em filosofia Salviano Feitoza, a ideia de racismo ‘ao inverso’ é errônea.

“O racismo reverso não existe, porque o racismo se caracteriza por um conjunto de elementos apoiados em fatores sociais, políticos, econômicos, religiosos, culturais e simbólicos que estabelecem situações de inferioridade a determinados grupos étnicos. Se eu considero o racismo como parte da construção de uma sociedade, então, o racismo é estrutural. Você tem uma estrutura que é toda construída, apoiada e reproduzida em critérios que colocam em situação de exclusão, de negação de direitos tudo que não é branco”, explica.

Ele ainda ressalta que pessoas brancas e pobres podem sim ser vítimas de discriminação, no entanto, “pela condição estética que apresentam, elas sofrerão bem menos esses elementos que atingem, diretamente, as pessoas negras”, acrescenta.

Nessa discussão, é importante atentar para o conceito de racismo, que é um sistema de opressão, e apoiar-se em uma visão histórica e social que configuram a trajetória dos povos negros. Sendo esta marcada por mais de 300 anos de escravidão, violência, exclusão e negação de direitos.

 Mesmo com essas evidências, não é raro encontrar grupos ou pessoas que defendam e perpetuam a existência do racismo reverso. Muitos partem da premissa de que termos como ‘palmito’, entendida como ofensa a pessoas brancas, ou críticas aos privilégios usufruídos por esses é uma preconceito, logo, racismo contra quem tem pele clara. 

Para Salviano, esse fato tem relação ao que ele chama de “fragilidade branca”, ou seja, “a dificuldade dessas pessoas [brancas] de lidar com o estresse de seus privilégios serem colocados em xeque. Há dificuldade, especificamente no Brasil, de aceitar esses privilégios e combatê-los, pois, implica mexer naquilo que é confortável para essas pessoas de pele branca”, explica. 

 

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O que seria de nós sem a enfermagem?

Em tempos de pandemia, lembrar que nesta terça-feira (12) é o Dia Mundial da Enfermagem reforça o quanto esses profissionais merecem reconhecimento
Rebeca Ângelis Por: 12/05/2020 - 18:23
O que seria de nós sem a enfermagem?
Reprodução/Freepik
Enfermagem. Do latim, Firmus, define quem é forte, resistente, firme. É quem cuida dos enfermos. Em meados do século 19, duas mulheres deram vida e lutaram para a enfermagem ter reconhecimento como profissão: Florence Nightingale, na Inglaterra; e Ana Nery, no Brasil.
 
Nesta terça-feira (12), é lembrado o Dia Mundial da Enfermagem. Dia da maior categoria de profissionais da área de saúde. São eles que se destacam por atuarem no enfrentamento ao coronavírus no Brasil e no mundo.
 
De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), esses são os profissionais que estão mais expostos à doença, pois mantêm contato direto com os pacientes. Independente do estado de saúde, são os enfermeiros que participam de vários processos como intubação, ventilação mecânica, banho no leito, troca de vestimentas, entre outros.
 
“A enfermagem hoje é o centro de todos os serviços de saúde em todo o mundo. Ser enfermeiro, em qualquer parte do mundo, implica ter um papel crucial em salvar vidas. É poder avaliar casos suspeitos do vírus, de maneira técnica. Somos nós quem estaremos sempre presentes, dando cuidado e assistência, seja em qualquer doença, em caso de agravamento do quadro”, ressalta Michelline Almeida, enfermeira atuante do Hospital Barros Lima de Pernambuco, que atende pacientes que contraíram a Covid-19. 
 
Plantões e seus desafios
 
Diante de várias doenças que hospitais já lutam para combater, o cenário da pandemia tem mostrado ainda mais a importância da enfermagem na linha de frente. 
Para Michelline, o maior desafio tem sido perder outros colegas enfermeiros, que também lutavam na assistência aos pacientes e no combate ao vírus.
 
Ela, que também chegou testar positivo para a Covid-19, explica que ficou curada e resolveu voltar para a atuação efetiva. Em sua função ela admite que é preciso muita cautela e reconhece  os riscos aos quais se submete para seguir exercendo seu papel.
“Conseguir lidar com as perdas tem sido difícil. Inclusive, quando são colegas de trabalho, que estão exercendo sua profissão, e lutam para ajudar outras pessoas”, lamenta. 
 
De acordo com o Cofen, há cerca de 12 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem entre infectados e suspeitos de terem contraído a doença. Todos foram afastados com suspeita ou confirmação de estarem com o novo coronavírus. E, Infelizmente, 94 já perderam a vida.
 
Para Eduardo Fernando de Souza, enfermeiro e membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), no quesito Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), não existe reinvenção para quem atua na área, em meio a escassez e condições precárias, para que profissionais executem seu trabalho. O que existe são profissionais oferecendo tudo de si, inclusive a vida, em prol de atender a população com o novo coronavírus ou pessoas com suspeita de estarem contaminadas. 
 
Ele ressalta que fazer com que profissionais de enfermagem se protejam utilizando capas de chuva, sacos de supermercados, sacos de lixo, garrafas pet, é descaso com a profissão. “Além de não proteger ninguém, esses materiais machucam os profissionais e os ridicularizam frente à sociedade, entre os profissionais da saúde, levando apelidos e contaminação para suas casas e entes queridos. Não é possível que um país como o Brasil, em suas dimensões gigantescas e de muitos acessos econômicos internos e externos, não possa prover o mínimo necessário para quem está à frente da morte de outros”, questiona o enfermeiro.
 
Fernando, que também integra o Comitê Gestor de Crise COVID-19 do Conselho Federal de Enfermagem, revela que o que mais lhe preocupa é a quantidade de denúncias sobre a falta de EPIs, profissionais que deveriam estar afastados por possuírem idade superior a 60 anos ou doenças que se enquadram no grupo de risco atuando na linha de frente. O cuidado com a saúde mental abalada de todos também é um ponto delicado.
 
Já para Sérgio Dias, enfermeiro atuante no Atendimento Pré-hospitalar na cidade de São Paulo, um dos maiores desafios que enfrenta são os pacientes que não têm a chance de um tratamento digno nos hospitais superlotados, UTIs sem equipamentos, com pessoas recém formadas e sem treinamento.
 
“Enfermeiros, não são super heróis”
“Somos seres humanos. Não somos super heróis.Temos família, temos amigos, temos vida, além de tudo. E essa vida não pode ser desperdiçada ao sabor dos ventos ruins que insistem soprar contra nós.”, desabafa Fernando.
O amor pela profissão de cada um desses profissionais se dá na certeza que é necessário enfrentar, sobretudo, a pandemia de forma competente e bem organizada, auxiliando a todos na melhor prática assistencial prestada aos pacientes.
 
Neste momento de pandemia, o principal objetivo é alcançar a todos os profissionais e ampará-los como merecem. “Não queremos visibilidade, mas, sim, queremos tornar nossas ações plausíveis a quem está na ponta, enfrentando o inimigo em desigualdade”, finaliza Fernando. 
 

 

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"É difícil saber que sua filha salva vidas, mas coloca a própria em risco", desabafa mãe de profissional da saúde

Celebração do Dia das Mães, para muitas famílias, será a distância. Tudo por amor.
Por: 10/05/2020 - 08:00
Foto: Freepik
Mães sentem a falta dos filhos que lutam para salvar vidas

Por Adige Silva

Devido à pandemia do novo coronavírus, o Dia das Mães de 2020, para muitas famílias, não vai ser de celebração e nem de confraternização. O distanciamento social é necessário, mas também é cruel para filhos e mães que vão ter que ficar separados. Mais duro ainda, parece ser, para as mães dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à Covid-19.

"É muito difícil, para uma mãe, saber que sua filha está saindo para trabalhar, para ajudar a salvar vidas e, ao mesmo tempo, está colocando a própria vida em risco. Sinto muito medo", desabafa Ana Maria Santos*, aposentada de 67 anos. Ela é mãe de Cláudia Rodrigues*, 48 anos, enfermeira que atua em um dos hospitais de campanha na Região Metropolitana do Recife (RMR).

O receio de 'Dona Ana' tem um motivo. Por sua atuação, Cláudia foi contaminada pelo vírus, mas não teve sintomas. O mesmo ela não pôde dizer de alguns colegas de profissão. "Perdi alguns colegas (de profissão) e não está sendo fácil. O emocional da maioria dos profissionais de saúde está muito abalado. Os ambientes são bem insalubres para atendimento, porque não fomos estruturados para essa pandemia", lamenta a enfermeira.

Aperto em dobro no peito

A angústia que Dona Ana sente, Janete Machado, de 75 anos, sente em dobro. Ela tem duas filhas atuando no combate ao coronavírus. "Fico preocupada, mas feliz por elas estarem salvando vidas. Fico rezando e pedindo a Deus que as protejam", afirma a aposentada.

Aureli Machado, médica e uma das filhas de Janete, conta como a pandemia mudou sua convivência com a mãe: "Ela está isolada na casa dela, com a minha tia Lucinha. Ligo constantemente; só consigo vê-las quando vou levar a feira, de longe. Minha mãe fica chorando no portão com o rosto coberto por uma máscara. Meu coração sofre, mas sei que é para o bem da gente", relata a profissional.

Por causa disso, a tradicional celebração presencial do Dia das Mães da família Machado não vai ocorrer. No entanto, Janete prefere manter viva a esperança por dias melhores. "Iremos passar separadas, cada qual nas suas casas. Quando tudo isso passar, voltaremos a nossa convivência, se Deus quiser e Ele quer", projeta.

A dor das filhas que também são mães

Além dos cuidados com suas mães, Cláudia e Aureli têm outra grande preocupação: não transmitir a doença para os filhos. A dura experiência nos hospitais justifica esse receio, segundo Cláudia.

"É muito difícil você ver pessoas morrerem na sua frente. É uma sensação de impotência muito grande. Você chega em casa, olha para sua família, e o que menos você quer é que eles não se contaminem, porque a dor é muito grande", comenta.

Para evitar a contaminação do filho e da filha, que residem com ela, uma força-tarefa foi montada. "Na minha residência, eu criei um fluxo. Entro pela área de serviço, o sapato fica do lado de fora. Na entrada, já fica um balde com água e sabão, que eu já coloco a roupa que eu vim da rua de molho. Também na área de serviço, tem um banheiro que utilizo para tomar banho", explica.

Procedimento semelhante foi adotado por Aureli, que também tem dois filhos, além do marido que também é médico. "Primeiramente, (o que fazemos é) higienizar absolutamente tudo que vem da rua. Tomar banho é um alívio", ressalta.

A médica também comenta a lição que tudo isso está deixando e vai deixar para o futuro. "O que vai ficar de tudo isto? O que realmente importa? Separei apenas duas roupas para trabalhar e um sapato emborrachado, nenhuma maquiagem, não sei mais o que é fazer unha ou arrumar o cabelo, mas descobri que isto não me incomoda. O que incomoda é a saudade que eu estou sentindo da minha família, dos meus amigos. Devemos dar mais importância às pessoas, à vida, ao amor. Mãe, eu amo você".

*Os nomes com o sinal de 'asterisco' são fictícios para preservar a identidade das fontes, que optaram por não se identificar

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Medicina: oftalmologia oferece vasta área de atuação

Especialidade está na lista das dez áreas com mais profissionais titulados no Brasil, segundo a Demografia Médica
Por: 07/05/2020 - 12:26
Foto: Pixabay
Área de especialização oferece inúmeras vertentes de trabalho

Por Marcele Lima

Antes mesmo de ingressarem no curso de medicina, muitos estudantes focam na especialidade que pretendem seguir, mas, é apenas no final da graduação em que eles realmente decidem seus próximos passos profissionais. Isto envolve a vivência acadêmica, os interesses pessoais, entre outros aspectos. Algumas especialidades são bastante concorridas, como clínica médica, a porta de entrada para muitas outras áreas, a exemplo da pediatria e da ginecologia. 

A oftalmologia, por exemplo, está na lista das dez áreas com mais profissionais titulados no Brasil, segundo a Demografia Médica, realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). E quem nunca ouviu o ditado que diz: “Olhos são a janela da alma?”. Através deles, transmitimos os mais diversos sentimentos, nos conectamos com pessoas, choramos e sorrimos. 

A verdade é que o olho é o portal de acesso ao sistema nervoso central e metade do cérebro está de alguma forma relacionada à visão. O nervo ótico se liga ao tronco cerebral, responsável por controlar funções primordiais na vida humana, como batimentos cardíacos, e é por meio do olho que as imagens são captadas.

Para o oftalmologista Renato Lira, a complexidade da área foi um dos fatores que lhe atraiu. “Sempre achei o mecanismo visual muito intrigante e complexo. Sempre tive atração por microcirurgias. Para mim, foi empolgante fazer cirurgias que requerem precisão, utilizando microscópios operatórios. É uma especialidade que está envolvida com tecnologia avançada, como ultrassonografia, fotografias digitais e diversos tipos de laser”, conta o profissional.

A diversidade do campo de atuação é uma vantagem, segundo dizem os médicos. A oftalmologia vai além de consultórios de correção de grau. Parte dos casos envolve recuperação da visão, correção de problemas que afetam a autoestima e a vida das pessoas. “A prescrição de lentes corretivas resulta em cerca de 80% dos atendimentos no consultório. Mas em 20% dos casos existem diversas doenças próprias dos olhos, como degeneração macular, glaucomas, uveítes, estrabismos, catarata, entre outras. Também há doenças sistêmicas associadas com repercussões oculares e visuais. Portanto, é uma especialidade clínica e cirurgicamente muito rica e atraente, e que exige um grande conhecimento de medicina geral”, afirma o médico Renato Lira.

Para atuar em um desses campos, o médico precisa fazer uma residência, que dura três anos, ou uma pós-graduação reconhecida pelo Ministério da Educação, com carga horária especificada acima de 4 mil horas, bem como é necessário obter a titulação. Também é importante manter-se atualizado, já que constantemente o mundo das ciências médicas descobre tratamentos e tecnologias novas. Estar um passo à frente pode ser o diferencial no mercado de trabalho que possui mais de 13 mil especialistas, conforme o CFM.

Já a remuneração do oftalmologista pode variar de acordo com diversos aspectos que vão desde os regionais ao local onde escolhem trabalhar. Nisso estão incluídas as clínicas privadas, que exigem um investimento inicial alto, o setor público ou o trabalho como acadêmicos e pesquisadores, como explica Renato Lira. “Quanto às oportunidades e rentabilidade, existe muita variação do mercado no país, até mesmo em função da região considerada, mas de forma geral é uma especialidade que ainda tem um campo de atuação aberto. A oftalmologia é muito dinâmica e empolgante. Tratar um paciente e restabelecer sua visão ou evitar sua cegueira não tem preço”, conclui o médico. 

Este 7 de maio é dedicado aos oftalmologistas, que conquistaram a data como reconhecimento pela dedicação desses médicos e coincide com o dia em que foi fundada a Sociedade de Oftalmologia de São Paulo, em 1930. Já pensou em ser oftalmologista? Venha fazer medicina na UNINASSAU!

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Dia Nacional da Matemática: 4 razões para amar a disciplina

Professor elenca pontos que farão você selar as pazes com o universo dos números
Por: Elaine Guimarães 06/05/2020 - 10:25 - Atualizado em: 06/05/2020 - 10:26

Presente em nosso cotidiano, a matemática tem um dia dedicado a ela. Nesta quarta-feira (6), é comemorado o Dia Nacional da Matemática, data  que homenageia o matemático e educador brasileiro Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan. 

A disciplina, para algumas pessoas, é complexa e causa medo ao resolver uma questão.   Para muitos, achar a hipotenusa, o xis da questão e a raíz quadrada não é uma tarefa fácil. Para o professor Ricardo Rocha, essa dificuldade tem relação com a educação básica.

 “A disciplina é dita como vilão por muitos porque não compreendem desde o início, a base. Os professores de pedagogia não tem o contato frequente, na graduação, com a disciplina. Então, fica difícil passar para as crianças de uma forma clara e objetiva a matemática. Ela [a disciplina] deveria ser apresentada às crianças como uma forma de resolver problemas, não apenas para fazer conta. É importante saber que a matemática tem um fundamento e que tudo na vida tem ela, seja uma simples compra no supermercado ou a leitura de gráficos”, esclarece. 

O docente aponta que as principais dificuldades na disciplina são operações com frações e questões que envolvam jogo de sinais. Mas, nem tudo está perdido para quem quer equilíbrio na relação de ‘amor e ódio’ com o universo matemático. Assim, Ricardo Rocha elenca cinco pontos para fazer você se apaixonar pela disciplina e selar as pazes com ela. Confira:

 

  1. Desafiadora

Muito além das operações, o professor chama atenção para o perfil desafiador da disciplina. Logo, desenvolve o raciocínio lógico. 

 

  1. Tudo é matemática

Engana-se quem pensa que a matemática só será encontrada nas páginas dos livros ou dentro da sala de aula. Muitas coisas, com as quais temos contato, têm a disciplina. Como exemplo, temos a música. Assim como, ações do nosso dia-a-dia precisam dela como cozinhar, comprar, pegar ônibus.

 

  1. Enxergar além dos números

Para algumas pessoas, a disciplina implica apenas nos cálculos. No entanto, assuntos como probabilidade e estatística podem ser usados na elaboração de jogos e prever se terá êxito.

 

  1. Interdisciplinaridade

Muitos conteúdo matemáticos estão presentes em outras disciplinas, por exemplo, em geografia, quando se trabalha escala; biologia no cruzamento genético. “Até em língua portuguesa podemos encontrar a matemática, ou seja, na interpretação de dados dos textos”, explica o docente.

 

Além dos pontos destacados, Ricardo Rocha ressalta dicas para quem deseja sanar as dificuldades na disciplina. “Primeiramente, é necessário ter humildade e estudar desde o básico da matemática, que é o fundamento, a base de tudo para se ter ânimo e otimismo para aprendê-la. Se estiver se preparando para alguma prova específica, é importante resolver questões. Além disso, dominar a interpretação de texto também ajudará na resolução das questões”, complementa. 

 

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Em tempos de pandemia, o que será do trabalhador?

Muitos trabalhadores já sentem os efeitos causados pelo avanço do novo coronavírus no Brasil
Elaine Guimarães Por: 30/04/2020 - 17:52 - Atualizado em: 30/04/2020 - 17:54
Em tempos de pandemia, o que será do trabalhador?
Reprodução/Freepik

"O presidente da empresa convocou uma reunião com todos para comunicar a demissão em massa. Toda a empresa foi desligada. Previamente, não se falava em demissão alguma, até porque, antes de pararmos, ele fez uma reunião com todos os colaboradores e disse que a intenção não era desligar ninguém", relembra Maria Izabel Tavares.

Há nove meses no cargo de coordenadora de produção, a engenheira e os 25 colegas de trabalho receberam o anúncio 20 dias após o último dia de funcionamento da empresa, que é do setor de confecção. A decisão de fechar as portas foi reflexo das medidas adotadas por Estados e Municípios para frear o avanço do novo coronavírus no Brasil; entre as ações estão o isolamento social e funcionamento apenas de serviços considerados essenciais.

Izabel relata que não poderia calcular os impactos causados pela pandemia, muito menos que culminaria na demissão de todos os colaboradores. “Não acreditava que pudesse chegar a esse ponto de desligar toda empresa”, conta.

Diferente da maioria dos trabalhadores, Maria Izabel tem uma renda complementar. No entanto, ela não sabe até quando poderá contar com esse rendimento, mesmo assim, mantém a fé em dias melhores. “Atualmente, a renda que tenho é de um imóvel alugado no interior. Graças a Deus, esse mês recebi normal, mas não sei como serão os próximos meses. Porém, Deus irá nos ajudar a sair dessa”, diz esperançosa.

Mesmo em um cenário de instabilidade, ela segue procurando uma nova oportunidade de emprego.  “Estou em busca de me recolocar no mercado de trabalho. Sempre procurando, acessando sites, cadastrando currículo, até porque, tem algumas empresas que estão contratando”, observa.

A designer gráfica Giovana Anello também foi impactada pela crise causada pelo novo coronavírus. Com menos de três meses como efetiva em um centro de exposições e prestes a finalizar o período de experiência, ela teve redução salarial e da jornada de trabalho em 50%.  “Nosso home office começou antes do decreto (isolamento social e fechamento de serviços não essenciais). A notícia da redução veio um dia antes do acordo, via Skype. Além de mim e um colega, ficou decidido que toda equipe que trabalha comigo também seria afetada. Somos em cinco profissionais no setor de marketing. Porém, a redução das outras pessoas (três) foi de 25%”, relata.

Giovana conta que o acordo de redução, previsto na Medida Provisória 936, aprovada pelo Governo Federal como ação emergencial para preservação dos postos de trabalho em meio à crise sanitária, foi menos danosa para ela que temia uma demissão. “Não pensei nessa possibilidade (redução), só tinha pensado em demissão. Foi uma decisão até otimista para mim quando disseram que não aconteceriam mais demissões no meu setor”, analisa.

O trabalho no centro de exposições é a única renda da designer. Com a diminuição do ganho, ela tenta levar os dias de instabilidade a partir de uma pequena reserva emergencial.  Assim como ela e Maria Izabel, vários trabalhadores sentem ou sentirão os efeitos da crise criada pela pandemia.

Desemprego e flexibilização do contrato de trabalho

De acordo com uma avaliação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 30 milhões de postos de trabalho fecharam ainda no primeiro trimestre no mundo devido ao Sars-Cov-2. Em levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a previsão é que o desemprego atinja 16,1% no segundo trimestre.

 Alguns setores já começam a sentir os efeitos da crise e da dinâmica social adotada para a contenção da doença no país. Os ramos de serviços, comércio e turismo são os mais afetados de imediato.

“Há um efeito multiplicador. Quando você vende menos no varejo, termina tendo um impacto nas indústrias. Além disso, o comércio de itens não essenciais também sente esse efeito, pois, geralmente, as pessoas compram por impulso ou justificadas por um evento, ida ao trabalho. Como as pessoas estão em casa, todas essas vendas caíram significadamente”, explica o economista Ecio Costa.

Entretanto, para ele, ainda é cedo para mensurar os impactos causados pela pandemia na vida dos trabalhadores. Porém, o economista aponta que há uma forte tendência para o aumento do desemprego. “De fato, a gente ainda não tem muitas informações, porque o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ligado ao Ministério do Trabalho, não está sendo divulgado desde janeiro/fevereiro de 2020. Então, não temos dados oficiais sobre geração de empregos formais. Pelo lado da informalidade, sabemos que há um grande número de pessoas que não estão conseguindo trabalhar”, pontua.

Ecio reverbera que muitas empresas foram surpreendidas, não possuíam reserva de rendimentos e isso ocasionou dificuldade para obtenção de recursos e, posteriormente, na manutenção dos empregos.

Nesse cenário, ele chama atenção para a MP 936. “O Governo Federal lançou medidas importantes que estão sendo adotadas pelas empresas, que promovem uma certa flexibilização nos contratos de trabalho, mas que são  essenciais para a manutenção desses empregos. Essas medidas, de acordo com números apresentados,  já preservaram o equivalente a quatro milhões de empregos e é provável que o governo prolongue essas ações”, explana.

Crise política e perspectiva pós-pandemia

Além da crise sanitária, o Brasil também enfrenta instabilidade política causada pela saída de ministros e acusações contra o Governo Federal. Nesse panorama, Ecio salienta que a crise política traz mais instabilidade e pode influenciar na recuperação do país pós-pandemia. “Não se sabe ao certo que caminhos o Governo Federal vai tomar. Mas, um passo importante que foi tomado pelo presidente Bolsonaro é a manutenção do Paulo Guedes como ministro da Economia. Essa sinalização é muito importante para que se tenha alguma estabilidade no campo econômico”, analisa.

Ainda segundo ele, caso haja a saída de Guedes, o novo nome que assumir a pasta deve apresentar as mesmas políticas de austeridade fiscal, promoção de reformas estruturantes para a economia do país e não apresentar medidas que geram mais gastos, visto que, o Brasil está com grande endividamento. Questionado sobre o tempo de recuperação do mercado de trabalho após a epidemia do novo coronavírus, ele lembra que “quanto mais tempo durar essa situação de isolamento social, maior vai ser o impacto na economia e, consequentemente, no desemprego, porque vai ter menos atividade econômica, menos perspectiva de retomada e uma retomada mais difícil”.

Ademais, Costa complementa que a recuperação do setor trabalhista não será imediata. “As pessoas que estão em casa consumindo menos não vão sair desesperadamente para adquirir o que deixaram de consumir durante o período de isolamento. A gente vai ter uma retomada ainda muito lenta e com muita desconfiança, principalmente, com relação aos empregos. As pessoas ficam temerosas que não terão a mesma situação do pré-crise, pré-isolamento social”, frisa.

Outro fato apontado pelo economista é com relação às empresas. “As instituições estão se endividando durante esse período de pandemia e a situação delas, após a reabertura, precisará ser muito bem equacionada porque terão imposto que foram deferidos, endividamentos novos, negociações com fornecedores e isso vai refletir na folha de pagamento e na forma de contratação. Por isso, pode haver, temporariamente, redução de quadro. Mas, como o segundo semestre, geralmente, é mais ativo que o primeiro, é possível que se tenha um aumento do consumo que venha impulsionar a economia”, salienta.

O futuro do trabalhador

Principal pilar da economia, o trabalhador enfrenta uma realidade marcada por demissões, redução salarial e suspensão de contratos de trabalho. Sem previsão para um retorno à normalidade, as projeções de um cenário pós-pandemia ainda são imprecisas.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), Paulo Rocha, adverte que as perspectivas para a classe trabalhadora não são as melhores. “Devido às pressões para reabertura da indústria e comércio, as medidas de isolamento serão afrouxadas antes do previsto. Os trabalhadores terão que retornar ao trabalho e encarar transporte público lotado, o que aumentará o risco de contaminação pela Covid-19. Para não perder o emprego, muitos profissionais vão se submeter a isso”, expõe.

De acordo com ele, a CUT defende que a retomada das atividades seja sistemática e que haja um planejamento para a segurança dos funcionários. “Alguns pontos levantados são o uso de máscaras, abertura gradual e com horários distintos do comércio, mais ônibus circulando, entre outras medidas”, esclarece Paulo.

A liderança chama atenção sobre as ações e condução da crise criada pelo novo coronavírus. “O Governo Federal está aproveitando a pandemia, junto com o Congresso Nacional, para aprovar projetos impopulares como a Medida Provisória 905 e a MP do contrato de trabalho Verde e Amarelo, sob a justificativa de prevenção dos postos de trabalho. Mas, essas já eram pautas de Bolsonaro antes dele assumir a presidência”, critica.

Com o aumento dos casos da Covid-19 no país, muitos empresas adotaram a dinâmica de trabalho home office. Para a gerente de Recursos Humanos Sabrina Torres, a prática deve continuar após a epidemia. “Empresas que não que não consideravam isso uma opção, hoje, estão bem mais flexíveis porque, de fato, funciona. Tendo líderes que consigam concentrar os esforços e produtividade da equipe não tem problema nenhum, é só uma questão de adaptação e organização. Com certeza, nesse cenário pós-pandemia, o home office vai vir, talvez, como um benefício para as pessoas e ter essa flexibilidade. Muitas empresas que eram contrárias a essa dinâmica, hoje, já a enxergam com outros olhos”, constata.

Para a especialista, esse novo sistema laboral flerta com a precarização das condições de trabalho. “O home office vem se acentuando, logo, o trabalhador passa a assumir as responsabilidades, que antes eram das empresas. As condições de trabalho ficarão sob a tutela também do trabalhador e trabalhadora, ou seja, a classe patronal se eximirá de certas obrigações. Além disso, há um risco do aumento da jornada de trabalho que não irá acompanhar a remuneração”, analisa.

Em um panorama mais otimista, Sabrina ressalta que os profissionais devem se qualificar neste período de isolamento e, como alternativa para driblar o desemprego e garantir renda, executar atividades como freelancer. “Usar este período para tentar se qualificar e buscar oportunidades. As contratações temporárias e de freelancer tendem a aumentar, pois as empresas estarão se adaptando, recuperando-se dessa crise e não terão, de imediato, como contratar muitos funcionário sob o regime CLT”, explana.

Sobre isso, o presidente da CUT sinaliza que o resultado será a criação de postos de trabalho precários, ou seja, sem carteira assinada, com jornada excessiva e baixos salários. “Diante disso tudo, pouco temos o que comemorar neste 1º de maio, Dia do Trabalhador. O cenário que se desenha não é favorável para a classe. Teremos muita luta, diálogo e ações para garantir o bem-estar dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirma.

 

 

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Pensar positivo pode diminuir os efeitos emocionais da pandemia

Enxergar o lado bom das coisas pode ser um facilitador para driblar o momento de instabilidade emocional vivido diante do novo coronavírus
Thayná Aguiar Por: 29/04/2020 - 18:14
Pensar positivo pode diminuir os efeitos emocionais da pandemia
Reprodução/ Pixabay

O cenário vivido atualmente é caótico. Além da preocupação física com nossa saúde, a pandemia do novo coronavírus traz também uma mistura de medos e incertezas. A interrupção repentina da rotina diária causa um grande impacto na vida de todos. Até o momento, não se sabe quanto tempo ainda será necessário viver em isolamento social, por exemplo. Essa e tantas outras dúvidas ocupam a mente de grande parte da população mundial.  

Segundo um relatório divulgado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre depressão e distúrbios de ansiedade, o Brasil é o primeiro colocado entre as nações com a maior porcentagem de pessoas com algum tipo desses transtornos. Conforme o levantamento, cerca de 18 milhões de brasileiros sofre com a doença, o que equivale a 9,3% da população. De acordo com a psicóloga Joyce Mayara Domingos, esse número pode aumentar diante da ausência de certeza, e da preocupação excessiva, geradas pela pandemia.

“A busca excessiva por informações, é algo extremamente prejudicial, que pode levar o sujeito a ficar mais ansioso, e até a desenvolver certo pânico, que pode, sim, transformar-se em transtorno”, alerta Joyce.

A psicóloga ainda alerta para os problemas alimentares que podem vir junto com a pandemia. “O fato de passar muito tempo em casa tende a ser um fator que corrobora para que isto aconteça. Transtornos alimentares também são outros exemplos, principalmente a compulsão alimentar, visto que a busca por algo que preencha pode ser transferida para comida, e o excesso desse movimento pode levar o sujeito a viver a sensação de culpa, consequentemente aumento do sofrimento”, explica a psicóloga.

Outro fator destacado pela profissional é a compulsão por limpeza. “Por mais que esse momento necessite de uma maior higienização das mãos, dos alimentos, e das embalagens, o excesso dela, a ponto de provocar algum tipo de sofrimento, merece atenção”.

Formas de cuidado

Para a psicóloga, o autocuidado é uma atitude de suma importância nesse período. “O estabelecimento de uma organização funcional do dia, de modo que não se precise seguir uma rotina rígida, mas flexível, onde se sinta o tempo passar, mantendo-se orientado em relação a ele, mesmo estando em casa, a ideia de manter uma rotina flexível, justamente visando a diminuição do sentimento de culpa e improdutividade”.

“A utilização de meios de comunicação, para manter o contato com nossos amigos e familiares, é uma forma de nos mantermos em interação, além de poder acompanhar os mais diversos tipos de evento. O que pode ser uma forma de se manter conectado com o que lhe possibilita uma sensação de bem estar”.

A psicóloga e coordenadora do curso de psicologia da UniNassau de Olinda Ana Claudia Alexandre também fala sobre a importância do autocuidado. “O momento requer da gente resiliência. Aproveita esse tempinho que você está em casa pra fazer coisas legais, pra ficar perto da tua família, pra poder se conhecer um pouco melhor, entrar em contato com você”.

Pensamento positivo

Mesmo diante de tantas dificuldades, a psicóloga Joyce Mayara Domingos destaca que é possível – e muito importante – ver o lado positivo de tudo isso que está sendo vivido. Para ela, procurar enxergar o lado bom é um facilitador para enfrentar toda essa situação.

“Algo que pode nos ajudar é prestar atenção que junto com o isolamento social, muitas atitudes de amor e solidariedade tem se manifestado, nunca se viu as pessoas se mobilizando tanto em ajudar como podem as outras, isso nos ajuda a ser otimista inclusive em relação a humanidade”, afirma a psicóloga.

“Ajudar o outro é também ajudar a si, pois é comprovado cientificamente, que quanto mais ajudamos outras pessoas, mais felizes nos tornamos, e esse ciclo acaba sendo contagiante, esse é o momento ideal para que boas atitudes sejam espalhadas”, continua Joyce.

Para Ana Claudia Alexandre, neste momento, é preciso fazer decisões sábias. “Ficar bem ou não ficar bem, pelo menos em um nível psicológico, pode ser por uma escolha nossa. Então escolha coisas legais. Façam boas opções para ter uma melhor qualidade de vida. Aproveite o momento e torne ele mais construtivo para você”. 

“Se apegar ao lado bom, entendendo que por mais difícil que pareça e seja essa situação, ela irá passar, pode ser uma das alternativas para passar por essa pandemia de maneira menos danosa. Ler um livro, ver um filme, e se permitir de vez em quando não fazer nada é uma boa alternativa. Respirar, ouvir uma boa música, entrar em contato com sua religião, caso tenha alguma, são coisas que te possibilitam enxergar outras coisas para além da pandemia”, completa a profissional.

Joyce ainda destaca: “Ser gentil consigo mesmo, e compreender que esse é um momento de fato difícil é primordial, tudo bem, não conseguir sozinho lidar com tantas incertezas e sentimentos confusos, e buscar ajuda não tornará você fraco, mas bastante corajoso. Utilizar da rede de apoio que possui, da forma que for possível inclusive virtualmente, é importante lembrar que o isolamento é físico, mas não é social, muito menos afetivo. Você não está sozinho, vamos juntos!”

Atendimento

Caso esteja passando por algum dos tipos de transtorno citados na matéria, a psicóloga Joyce Mayara Domingos se disponibiliza para atender de forma online. Para entrar em contato, basta enviar uma mensagem para o seu instagram: @psijoycemayara.

Confira o vídeo de Ana Claudia Alexandre, psicologa, professora e coordenadora do curso de psicologia da UNINASSAU de Olinda:
[VÍDEO]

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